{"id":16874,"date":"2023-06-14T21:51:00","date_gmt":"2023-06-14T20:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/unusualvoyages.com\/mongolia-tanto-de-nada\/"},"modified":"2025-02-23T00:56:02","modified_gmt":"2025-02-23T00:56:02","slug":"mongolia-tanto-de-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/mongolia-tanto-de-nada\/","title":{"rendered":"Mong\u00f3lia: tanto de nada"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A primeira vez que viajei para a Mong\u00f3lia n\u00e3o tinha nada de especial em mente. Conhecia o Grande Imp\u00e9rio Mongol e Genghis Khan, sabia que eram n\u00f3madas e que viviam em pequenas tendas chamadas <em>gers<\/em>. Pensava que era um pa\u00eds do terceiro mundo, atrasado, pontuado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e pela influ\u00eancia da China&#8230; mas nada me preparou para conhecer aquele que \u00e9 agora (e tem sido desde ent\u00e3o) o meu destino de elei\u00e7\u00e3o, ao qual anseio sempre por regressar.  <\/p>\n<\/blockquote>\n\n<!--more-->\n\n<p>Das muitas vezes que j\u00e1 voltei \u00e0 Mong\u00f3lia, aqui ficam as que ainda me impressionam. Sugest\u00f5es que servem de convite para visitares o pa\u00eds, ou pelo menos para conheceres as sugest\u00f5es de livros e filmes que deixo no final do texto. <\/p>\n\n<p>Acho que toda a gente devia visitar um destino como a Mong\u00f3lia pelo menos uma vez na vida. O facto de estarmos completamente afastados da nossa zona de conforto, em muitos aspectos: do alojamento \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, dos transportes ao vestu\u00e1rio, passando pelas religi\u00f5es e cren\u00e7as. \u00c9 um regresso \u00e0s ra\u00edzes humanas: o nosso lugar no mundo; desligarmo-nos do materialismo e do sentimento de posse; as regras de sobreviv\u00eancia.  <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O maior c\u00e9u do mundo<\/strong>         <\/h2>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/unusualvoyages.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Steppes-1-scaled-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9548\"\/><\/figure>\n\n<p>Sem d\u00favida, a raz\u00e3o pela qual estou infinitamente apaixonado pela Mong\u00f3lia \u00e9 o &#8220;maior c\u00e9u do mundo&#8221;. As estepes estendem-se a perder de vista, alongando o horizonte, e o facto de a Mong\u00f3lia ter uma densidade populacional t\u00e3o baixa e muito poucas cidades separadas por v\u00e1rias dezenas de quil\u00f3metros, faz com que as estrelas brilhem mais e o c\u00e9u seja mais amplo. As noites da Mong\u00f3lia s\u00e3o um dos mais belos espect\u00e1culos que a natureza tem para oferecer. A Via L\u00e1ctea estende-se pelo c\u00e9u, fazendo-nos finalmente perceber como somos pequenos no Universo. E as estrelas cadentes, que s\u00e3o tantas na Mong\u00f3lia, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o um desejo: aqui, cada estrela cadente representa uma alma que acabou de deixar a vida do corpo na terra e est\u00e1 a viajar para o c\u00e9u.    <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Amplitudes t\u00e9rmicas extremas <\/strong>         <\/h2>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/unusualvoyages.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/XPRO1383-scaled-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14747\"\/><\/figure>\n\n<p>O maior c\u00e9u do mundo oferece-nos paisagens incr\u00edveis e amplitudes t\u00e9rmicas extremas: de dia para a noite, as temperaturas podem variar at\u00e9 30\u00baC! Os Invernos s\u00e3o extremos e Ulaan-Baatar \u00e9 a capital mais fria do mundo, atingindo temperaturas de -50\u00baC. O ver\u00e3o, por outro lado, \u00e9 abrasador e atinge os 40\u00baC. Se no inverno as estradas desaparecem completamente por estarem cobertas de neve, no ver\u00e3o as fortes chuvas tamb\u00e9m mudam a paisagem. As cascatas congelam no inverno, tal como o maior lago da Mong\u00f3lia e o segundo maior da \u00c1sia, o Khovsgol. Penso que as temperaturas extremas fazem com que este lugar pare\u00e7a um outro planeta, a noite diferente do dia, um m\u00eas diferente do outro, uma muta\u00e7\u00e3o constante que desperta sempre o nosso instinto de explora\u00e7\u00e3o e quase sobreviv\u00eancia.     <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Descomplicar as mat\u00e9rias-primas<\/strong>         <\/h2>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/unusualvoyages.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/untitled-05442-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14741\"\/><\/figure>\n\n<p>N\u00e3o existe agricultura na Mong\u00f3lia. Durante s\u00e9culos, a popula\u00e7\u00e3o mongol aprendeu a contentar-se com o que a regi\u00e3o mais lhe d\u00e1: os animais. E \u00e9 incr\u00edvel ver a quantidade de produtos, texturas e sabores que conseguem obter com apenas uma mat\u00e9ria-prima. Apesar de ser um destino\/cultura complicado para vegans e vegetarianos, o que \u00e9 certo \u00e9 que o esp\u00edrito de sobreviv\u00eancia destas pessoas que habitam estas terras completamente hostis \u00e9 admir\u00e1vel, assim como a forma como conseguem extrair tantos produtos do pouco que t\u00eam. Quando se trata de sabores, faz oito tipos diferentes de queijo a partir do mesmo leite, por exemplo. Doce e salgado, estaladi\u00e7o ou amanteigado.     <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Rota da Seda<\/strong><\/h2>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/unusualvoyages.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Road-2-scaled-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9549\"\/><\/figure>\n\n<p>Embora tenha sido em tempos o maior imp\u00e9rio do mundo, foi &#8220;sol por pouco tempo&#8221;. Ap\u00f3s a queda do imp\u00e9rio mongol, a cultura da Rota da Seda e o corredor para as transac\u00e7\u00f5es comerciais entre o Oriente e o Ocidente permaneceram. O Imp\u00e9rio Mongol foi constru\u00eddo em grande parte a partir das principais cidades mong\u00f3is que serviam de &#8220;portagens&#8221; para tributar os produtos comercializados nesta rota. Ap\u00f3s a queda do imp\u00e9rio, outras culturas e civiliza\u00e7\u00f5es surgiram ao longo da rota e, por vezes, a partir destas portagens comerciais. A Rota da Seda original sofreu grandes altera\u00e7\u00f5es depois de Vasco da Gama ter aberto o caminho para o Oriente por mar, mas a rota terrestre permaneceu para sempre no imagin\u00e1rio de todos os viajantes.    <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Transmongoliano<\/strong>         <\/h2>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/unusualvoyages.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/LRM_EXPORT_23191266039168_20190914_124305847-scaled-1-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14725\"\/><\/figure>\n\n<p>Ap\u00f3s s\u00e9culos de esquecimento, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica trouxe a rota transmongoliana para a Mong\u00f3lia em 1947. Anos mais tarde, na d\u00e9cada de 1950, o itiner\u00e1rio foi completado com acesso \u00e0 China. A rota transmongoliana tornou-se assim a rota ferrovi\u00e1ria mais popular do mundo, com 7.356 quil\u00f3metros (dist\u00e2ncia atual) de via, ligando Moscovo a Pequim, atravessando tr\u00eas pa\u00edses, sete noites seguidas. Mais do que a carga, a import\u00e2ncia desta linha reflectiu-se nos viajantes e exploradores que entraram na Mong\u00f3lia, puxados por uma locomotiva a diesel, e depois exploraram as estepes nas populares carrinhas russas UAZ, ou a cavalo, ao estilo do pr\u00f3prio Gengis Khan. N\u00e3o posso esconder o facto de que esta continua a ser a minha viagem preferida, e a Mong\u00f3lia torna-a ainda melhor.    <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Mong\u00f3lia<strong>na cultura popular<\/strong>         <\/h2>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/unusualvoyages.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/XPRO1431-scaled-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14016\"\/><\/figure>\n\n<p>Embora continue a ser um destino desconhecido, a Mong\u00f3lia tem sido amplamente explorada na literatura e no cinema. Em 2005, chegou aos \u00d3scares com aquela que \u00e9 at\u00e9 hoje a produ\u00e7\u00e3o mongol mais popular, &#8220;A Caverna do C\u00e3o Amarelo&#8221;. Em 2007, a hist\u00f3ria de Genghis Khan, contada no filme &#8220;Mongol&#8221;, tamb\u00e9m chegou a Hollywood. Mais recentemente, a s\u00e9rie da Netflix &#8220;Marco Polo&#8221; mostrou ao mundo a Mong\u00f3lia de Kublai Khan. O document\u00e1rio &#8220;The Eagle Huntress&#8221;, de 2016, tamb\u00e9m fez com que as pessoas se apaixonassem pela hist\u00f3ria de uma etnia diferente, que se pensava ser apenas parte de um imagin\u00e1rio liter\u00e1rio e n\u00e3o uma hist\u00f3ria real.     <\/p>\n\n<p>Na literatura, para al\u00e9m do \u00f3bvio<em>&#8220;As Viagens de Marco Polo<\/em>&#8220;,<em>&#8220;O Pa\u00eds Perdido<\/em>&#8220;, mais recentemente publicado como<em>&#8220;Mong\u00f3lia: Travels in the Untamed Land<\/em>&#8220;, de Jasper Becker, \u00e9 provavelmente o meu livro favorito sobre a Mong\u00f3lia &#8211; um contexto hist\u00f3rico e cultural espetacular contado sob a forma de contos de viagem. O livro<em>&#8220;O C\u00e9u Azul<\/em>&#8220;, de Galsan Tschinag, tamb\u00e9m \u00e9 bastante interessante, pois relata o impacto da civiliza\u00e7\u00e3o nas tribos \u00e9tnicas da Mong\u00f3lia (neste caso, na regi\u00e3o de Tuva, conhecida pelas suas tribos de renas brancas).<\/p>\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Continua a ler:<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira vez que viajei para a Mong\u00f3lia n\u00e3o tinha nada de especial em mente. Conhecia o Grande Imp\u00e9rio Mongol e Genghis Khan, sabia que eram n\u00f3madas e que viviam em pequenas tendas chamadas gers. Pensava que era um pa\u00eds do terceiro mundo, atrasado, pontuado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e pela influ\u00eancia da China&#8230; mas nada me preparou para conhecer aquele que \u00e9 agora (e tem sido desde ent\u00e3o) o meu destino de elei\u00e7\u00e3o, ao qual anseio sempre por regressar.  <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16875,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[132],"tags":[133],"class_list":["post-16874","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mongolia-pt","tag-mongolia-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16874","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16874"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16874\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16875"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/unusualvoyages.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}