No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as Conversas Fora do Comum propõem uma sessão dedicada a mulheres que romperam fronteiras — geográficas, políticas e simbólicas.
Esta sessão especial junta cinema, literatura e experiências vividas para falar de viagem como gestos de revelia e de liberdade.
A sessão começa com o documentário Beyond the Lies, da realizadora e ativista iraniana Mahnaz Mohammadi, que nos leva ao Irão contemporâneo, onde o corte das comunicações amplifica o silenciamento dos crimes cometidos pelo governo, em particular contra as mulheres. O filme lembra-nos que, quando não se pode ver, a violência acontece no escuro.
Depois da exibição, a conversa continua a partir do livro Mulheres Viajantes, de Sónia Serrano, que resgata do esquecimento dezoito mulheres que desafiaram as convenções do seu tempo e partiram sozinhas à descoberta do mundo. Do século IV aos nossos dias, são histórias de mulheres que contrariaram comportamentos esperáveis, atravessaram territórios interditos e marcaram a literatura de viagem — como Freya Starck, que mapeou o nordeste do Irão enquanto procurava os castelos da histórica seita dos assassinos.
À conversa junta-se também Mara Mureș, cicloturista e ilustradora, que em 2025 pedalou da Bajouca até Timor-Leste e celebrou o seu aniversário no Irão. Uma viagem feita com o corpo, o tempo lento e um caderno nos alforges, onde desenha e escreve o que vive.
Entre o passado e o presente, entre o arquivo e a estrada, esta sessão propõe uma reflexão sobre mulheres que ousam mover-se para lá do que é esperado delas — e pergunta, de forma direta: o que significa, ainda hoje, ser uma mulher fora do comum?



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